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sábado, 11 de junho de 2016

Projeto de Lei para alteração do nome da escola é aprovado!


Hoje, dia 08 de junho de 2016, recebemos a notícia de que a alteração do nome da escola de EMEI Guia Lopes para EMEI Nelson Mandela foi aprovada por maioria absoluta da Câmara de São Paulo.
Estamos muito próximos de comemorar uma conquista inédita de nossa comunidade!!!!



PARABÉNS, EMEI NELSON MANDELA!

A 
Emei Guia Lopes, eleita pelo Ministério da Educação - MEC umas das 10 instituições de educação infantil mais "inovadoras e criativas" do Brasil, se engajou em uma campanha: queria mudar de nome e homenagear Nelson Mandela, um patrono com quem se identificam mais.

Nos últimos anos, a escola foi alvo de ataques racistas. Como resposta, além do trabalho de debate e conscientização dentro da escola, realizou um abaixo-assinado pedindo a mudança (leia mais aqui: http://g1.globo.com/educacao/noticia/2015/09/apos-ser-alvo-de-racismo-escola-luta-para-se-chamar-nelson-mandela.html).

Nesta terça, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou um projeto meu e do Netinho de Paula que atende o desejo da comunidade e muda o nome da escola. Agora, só falta a sanção do prefeito Fernando Haddad para o projeto virar lei e a escola mudar de nome oficialmente.


Portanto, parabéns a todos da EMEI Nelson Mandela!

Antonio Donato Madormo – Presidente da Câmara Municipal de São Paulo.


A língua escrita na Educação Infantil


Leia, na íntegra, a entrevista concedida à Mônica Cardoso para o site Plataforma do Letramento.

Por Cibele Racy

1. Quais os prós e os contras da alfabetização na Educação Infantil?
Certamente é possível obter as mais diversas respostas quando tratamos da alfabetização na Educação Infantil, em especial nas escolas públicas. Há uma grande polarização sobre o assunto e sempre atrelada as mais recentes descobertas de outras áreas do conhecimento humano. Diante do fato de que vivemos em uma cultura letrada, o território escolar não pode se omitir diante da constatação inequívoca de que a cidadania só pode ser vivida com o domínio de alguns conhecimentos, dentre eles a escrita e a leitura. A defesa de concepções que apregoam os malefícios da alfabetização na educação infantil desconsidera o fato de que ela ocorre com ou sem o consentimento da escola, dos professores e teóricos que versam sobre o tema. Ela se inicia no contexto familiar.  
Reconhecendo, também a marginalidade com que a alfabetização ocorre dentro de unidades de educação infantil na rede pública  e  que a maioria das crianças que as freqüentam são negras, declaradas ou não, é possível  estabelecermos conexões e iniciarmos nossa reflexão sobre a quem interessa a manutenção das discussões sobre o que deve ou não ser ensinado a elas. A clandestinidade gera ainda mais equívocos, cujas consequências se refletem na vida daqueles que deveriam protagonizar seus próprios processos de construção.
A omissão da escola e, portanto, o cerceamento de direitos deixa nossas crianças expostas àquilo que tanto combatemos em termos de alfabetização: a cópia de signos, o desenho das letras, por uma única razão, a escola em que os pais as matriculam, não correspondem às suas expectativas reais.
A alfabetização e seus processos estão atrelados a um dos pilares  que dão sustentação aos princípios de uma gestão democrática. Como garantir de fato o espírito democrático dentro de um universo que constantemente desconsidera as expectativas de sua comunidade em relação ao desenvolvimento de seus filhos? Avalio que não há a menor possibilidade de parceria quando um dos lados envolvidos tenta insistentemente convencer o outro de que seus desejos e preocupações não correspondem ao que há de mais moderno em teorias pedagógicas.
Diante dessa constatação, incluímos em nossa proposta político-pedagógica a formação continuada de nossos professores sobre a construção da escrita e brincamos muito de escrever com nossas crianças em situações cuja sua função social é explícita.  Considero como dever da escola orientar os passos das crianças e de suas famílias rumo à conquista de seus direitos que não devem ser diferentes daqueles conquistados em outros cenários educacionais.

2. Como a EMEI Guia Lopes trabalha a questão da alfabetização na Educação Infantil? E como tem sido as respostas dos alunos e de seus pais?
O currículo da EMEI Guia Lopes é permeado por características próprias do universo infantil. O encantamento, a fantasia e a imaginação estão presentes em todas as nossas propostas e provocações didáticas às crianças.  A escrita e  leitura não poderiam estar fora desse contexto.
Não definimos uma lista de conteúdos a serem trabalhados, mas atitudes que esperamos façam parte da vida de nossas crianças, dentre muitas o interesse em aprender a escrever. Adotamos uma estratégia pedagógica eficiente quando criamos as figuras de afeto (aquelas que afetam) cujo contato só é possível através de cartas, posto que só ganham vida durante à noite, quando não há mais ninguém na escola. Os vínculos que são estabelecidos com esses bonecos fazem brotar cartas diárias escritas pelas crianças e outras tendo o professor como escriba, tal a necessidade e urgência de estabelecer essa conexão. Portanto, todos os contextos relacionados às atividades de escrita estão vinculados a necessidade de comunicação com nossos terceiros educadores, as figuras de afeto.
Temos como objetivo inicial que as crianças se sintam à vontade para escrever o que para algumas é um desafio vencido ao longo de um ano. O medo de errar e a justificativa de não saber fazer, sentimentos criados durante os processos desencadeados pelas famílias sobre a escrita, imobiliza a criatividade e tolhe qualquer iniciativa de construir hipóteses sobre a palavra escrita. Superada a insegurança e conquistado o prazer de se comunicar, adotamos durante a rotina escolar, momentos em que a função social da escrita se faz presente, mas, além disso, criamos situações em que a necessidade do registro tem por objetivo guardar na memória os bons momentos que vivemos durante os projetos didáticos.
Destinamos, em nossa linha de tempo e espaços, dois dias da semana para que a criança escreva sobre algo que lhe foi significativo. Com o auxílio de professores atentos e formados, esses momentos propiciam os avanços de nossas crianças em suas hipóteses de escrita e a construção de estratégias de leitura.
Diariamente, brincamos de descobrir o nome do ajudante do dia, de adivinhar a palavra secreta e, em outras situações, de construção coletiva de textos.
3. Qual a importância do brincar e do trabalho com outras linguagens e formas de expressão para o desenvolvimento da criança na Educação Infantil? De quais formas os professores podem estimular aprendizado de maneira lúdica na Educação Infantil?
É interessante estabelecer uma relação entre o que pensamos sobre alfabetização e o que asseguramos as nossas crianças durante sua permanência na escola. Nosso currículo se concretiza nas interações que ocorrem nos diferentes tempos e espaços da escola. As vivências no parque, na sala de leitura, na brinquedoteca, na horta, na cozinha experimental , no espaço de artes compõem o cenário ideal para que inúmeras formas de expressão sejam reconhecidas em sua importância e portanto garantidas como direitos de nossas crianças. Hoje é impossível pensar na educação como áreas fragmentadas do conhecimento e desenvolvimento humano. É dessa forma que compreendemos o brincar. A brincadeira não deve ser considerada como uma linguagem apartada das provocações que planejamos para as crianças em todos os momentos da nossa convivência. É  por meio das concepções que temos sobre o  brincar que construímos nossas propostas de trabalho com a alfabetização.
Importante ressaltar que o investimento na criação de espaços diferenciados de convivência foi concebido para as crianças, mas se constituem em objeto de formação para nossos professores. Pensar a educação fora de quatro paredes, entre o que pode e o que não pode,  é um dos nossos desafios.
4. Existe uma cobrança das escolas e/ou dos pais para acelerar a alfabetização na Educação Infantil? O brincar ainda é visto como algo menor de menor importância, que não acrescenta ao aprendizado?
A ansiedade de professores e pais sobre as questões que envolvem a alfabetização  na educação infantil pública é alimentada pelo desconhecimento dos processos que estão envolvidos no seu processo de construção. A negação de direitos, as idéias difusas sobre o que seja sócio-construtivismo e a conceituação equivocada de que a construção de hipóteses de escrita se constitua em um método e não em uma teoria do conhecimento, fez crescer a insegurança em todos os atores envolvidos com a alfabetização das crianças.
Para solucionar tais cobranças sociais, compreendemos também que é dever da escola proteger nossas crianças de tudo aquilo que desrespeite a sua infância, seu ritmo, seus desejos e necessidades.  Não há outra solução que não seja compartilhar os saberes sobre o assunto. Adotamos, então algumas dinâmicas de formação das famílias e professores cujo objetivo é evidenciar como as crianças pensam a escrita, o que já sabem sobre ela e de que forma podemos ajudá-las a avançar.
A partir dos encontros promovidos pelo  projeto denominado “Escola de Pais”, abordamos todos os assuntos eleitos por eles como prioritários. Assumimos, então, uma postura diferente quando o assunto é alfabetização. Ao invés de lhes responder que a educação infantil é o tempo de brincar, explicamos a eles como brincamos de ler e escrever com seus filhos e de que forma a família pode nos ajudar nessa formação.