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quarta-feira, 20 de julho de 2016

EMEI Nelson Mandela, na primeira pessoa do singular.


No último dia 29 de junho de 2016 foi publicada no Diário Oficial da Cidade de São Paulo a Lei n.º 16.463 de 28 de junho de 2016 que altera o nome da escola (EMEI Guia Lopes) para EMEI Nelson Mandela.
Como diretora, fui procurada para conceder algumas entrevistas e este processo foi extremamente rico. As perguntas me ajudaram a resgatar, em meio a euforia da conquista, os detalhes de uma história vivida por inúmeros professores e educadores que trabalharam e trabalham em nossa escola desde que a Lei 10.639|03 foi absorvida pelo currículo escolar.
Durante os últimos seis anos, vivi com a equipe inúmeras situações que nunca foram publicadas ou comentadas porque o ideal de perfeição ainda reside em todos nós, mas foram verdadeiras batalhas diárias que me obrigaram a reconhecer que tenho muito o que fazer e aprender.
Contamos e publicamos alguns eventos que foram marcantes, de formas bem distintas, para cada um de nós, sem detalhar o que os antecedeu.
O movimento artístico promovido para encobrir o crime de racismo estampado em nossos muros foi acompanhado pela negação de alguns professores em participar com suas crianças da pintura, o que obrigou a gestão a assumir a liderança para garantir a participação de todos.
Ou quando preparávamos a primeira Festa Afro-Brasileira e convidamos uma cantora de samba de roda e isso causou uma quebradeira geral em que convicções religiosas nos induziram ao erro de não mantermos o convite após consulta aos professores. Esta foi a experiência mais devastadora que pude viver e que ainda não esta resolvida dentro de mim.
Em dado momento, por inúmeros episódios, deu-se início a acusações pessoais de racismo envolvendo um grupo de professores e a gestão escolar, afetando de forma irreversível o ambiente de trabalho.
Em outros momentos me deparei com manifestações religiosas dentro da escola que conseguiram me tirar o chão por uns bons e longos dias.
Abri os portões da escola para que todos os interessados participassem da construção desta história e não foram poucas as coisas que aprendi. Na verdade continuo a buscar alternativas de solução para muitos desafios que nos foram lançados pelas visitas que recebemos.
A alta rotatividade de professores nos concursos de remoção, por exemplo, se constitui, por enquanto, numa pergunta com milhares de respostas possíveis.
Entre todos os questionamentos que me fizeram nos últimos tempos, há um que me tirou o fôlego.
Para finalizar a entrevista, a repórter me pegunta o que eu gostaria de dizer caso encontrasse com os pichadores responsáveis pelo crime de racismo. Na hora, o que me ocorreu talvez tenha sido a resposta mais coerente e que expressa os meus sentimentos em relação a todos as dificuldades de se garantir o cumprimento da Lei 10.639|03.
Respondi que não lhes diria nada, apenas daria a eles a honra de segurar por alguns instantes a placa com o novo nome da escola.


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