Total de visualizações de página

sábado, 28 de maio de 2016

E amanhã, o que nos causará espanto?


Famílias, vocês devem saber em que mundo estamos vivendo, não é?
Vocês devem acompanhar o noticiário ou mesmo saber de um caso de violência contra a mulher que aconteceu na casa do seu vizinho na semana passada, ou não?
Pois então, a única solução que nos parece óbvia para mudar o rumo de uma história de desrespeito à mulher, em que um crime contra ela é cometido a cada 11 minutos, sem contar as diversas formas de violência que estão presentes nos 1.429 que restam de um dia, É A EDUCAÇÃO!
Precisamos repensar o que de fato queremos para nossas crianças e este exercício não pode ser revestido de hipocrisia ou inundado de jargões puritanos de adultos que insistem em não enxergam a realidade, mesmo que ela nos invada por todos os poros.
O que nos espanta, hoje, é fruto de uma distorção de propósitos daquele que deveria ser um território de aprendizagem e descobertas, A ESCOLA.
Grande parte das violências de que somos vítimas, tem origem na omissão instalada nos lares e que encontram reverberação nas salas de aula. Falarmos sobre sexualidade é prerrogativa de gente grande, mesmo sabendo que a descobrimos muito mais cedo do que o nosso nocivo pudor pode imaginar.
Há, ainda, quem se espante quando tratamos da concepção, da gravidez e nomeamos os órgãos genitais masculinos e femininos para nossas crianças como de fato devem ser identificados, extraindo do vocabulário infantil as milhares de pererecas, periquitas, florzinhas que habitam o universo de meninos e meninas. Ao contrário da pretensão lúdica e educativa que os apelidos parecem ter aos olhos das famílias e de alguns especialistas em educação, o que de fato ocorre é a banalização de nossa linda sexualidade desde o dia em que nascemos, na maioria das vezes, pasmem, da relação sexual de nossos pais. 
Para muitas crianças a descoberta de si e do outro se intensifica no ambiente escolar. O contato com seus pares aflora a curiosidade sadia de entendê-los para se conhecer melhor. 
É na escola que criamos vínculos de amizade e é com nossos amigos que descobrimos o mundo.
Cabe, à escola, não reproduzir os enganos de falsos valores criados por adultos que não tiveram garantido o direito de conhecer as possibilidades e limites de seus corpos e seus desejos.
Desde a primeira infância a necessidade de expressar a sexualidade e expor seu próprio corpo para legitimar sua identidade faz parte do dia a dia de nossas crianças e, portanto deveria estar presente no currículo escolar. 
Não podemos ocultar aquilo que é humano, não devemos invisibilizar tudo o que nos pertence, a começar pelo nosso próprio corpo sob o risco de desumanizá-lo.
É urgente, e deveria ser uma regra, não terceirizar nossos deveres como especialista em educação que acreditamos ser. 
Se a curiosidade de descobrirmos quem somos é latente, latente deve ser a necessidade de desconstruirmos estereótipos e emergente trazer à tona, em nossa convivência, a lucidez.
Nossa omissão produz conseqüências que nos são reveladas tarde demais.
Cibele Racy
SP 28|05|2016

Nenhum comentário: