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terça-feira, 10 de março de 2015

ESCOLA DE PAIS - TEMA ALFABETIZAÇÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL


Hoje, dia 10 de março de 2015, realizamos o segundo encontro da Escola de Pais.
Discutimos as expectativas das famílias em relação à aprendizagem de seus filhos, em especial ao processo de alfabetização.
Muitos, como em anos anteriores, demonstram uma grande preocupação em relação a escrita e leitura, talvez porque já tenham compreendido que nas escolas públicas de educação infantil este assunto seja um grande tabu e que seus filhos não terão os mesmos direitos que outras crianças.

Há anos percebemos que alguns de nossos alunos chegam à escola escrevendo seu nome, grafando algumas letras e recitando números, prova da dedicação familiar em suprir as lacunas que só as escolas particulares preenchem. Esta situação sempre nos inquietou profundamente, principalmente porque a escola que considera impróprio alfabetizar crianças de 4 e 5 anos, é a mesma que propaga a importância da participação dos pais na vida escolar de seus filhos e são impiedosas quando eles não comparecem às reuniões de pais. Nos parece incongruente querermos a participação das famílias em uma escola que não as escuta, que não reconhece suas expectativas, que não reconhece seus valores e cuja a história de vida não é levada em consideração quando determina o que as crianças devam ou não aprender. 
Há tempos os ideais de uma escola democrática são propagados aos quatro ventos , aos trancos e barrancos, mas nos perguntamos a que tipo de democracia estariam se referindo as políticas públicas?
Que escola democrática seria esta que não garante os mesmos direitos a todos?
Que concepção de criança seria esta que determina uma distinção histórica entre a infância dos ricos e dos pobres?
Que concepções de ensino-aprendizagem, de escola, de alfabetização e de infância teriam os professores que se negam a alfabetizar seus alunos do ensino público e alfabetizam seus alunos quando assumem suas funções em seu segundo vínculo? 
De que professores estamos falando quando sabemos que muitos alfabetizam seus próprios filhos antes mesmo de os colocarem na escola e negam, aos filhos de outros, os mesmos direitos? 
Que escola é essa que chama os pais para as reuniões para convencê-los de que os seus desejos e preocupações não correspondem aos mais avançados estudos sobre a educação infantil que consideram o BRINCAR como sendo a única forma de aprender? 
De que brincar estamos falando mesmo? Daquele que é preciso ser ensinado e aprendido ou daquele que supõe que as crianças livres, leves e soltas aprendem sozinhas?
Chegamos a várias respostas e elas nos parecem satisfatórias. Não é preciso desprezar ideias e conhecimentos, adotar cegamente uma única corrente de pensamento, idolatrar apenas um grande educador ou tê-lo como única referência porque em Educação isso tem um nome e inúmeras consequências às nossas crianças da escola pública: perder o trem da história e permanecer exatamente onde estão.
Sejamos, então, revolucionários porque a mudança é urgente nem que para isso tenhamos que nos render ao óbvio: as consequências de não alfabetizar crianças de 4 e 5 anos de famílias de Higienópolis não são as mesmas quando negamos esse direito aos nosso alunos.
Investimos no acesso, nos processos de construção da escrita e das estratégias de leitura  e o melhor de tudo é que não fazemos nenhum tipo de cobrança às crianças e, acreditem, isso dá certo!
Acreditamos que as crianças das escolas públicas têm os mesmos direitos que as crianças de escolas particulares. 
Acreditamos que as crianças negras, bolivianas, brancas e orientais das escolas públicas são tão competentes quanto as crianças das escolas particulares.
Acreditamos que construir a competência escritora e leitora seja a brincadeira mais gostosa e desafiadora que podemos oferecer.
Acreditamos que a promoção da igualdade racial começa quando damos oportunidades iguais aos diferentes e que é exatamente assim que se constrói uma escola democrática.
Foi uma noite deliciosa!!! Obrigada pela presença!!!



4 comentários:

Fernanda disse...

Parabéns EMEI Guia Lopes, a proposta pedagógica é de grande importância para os nossos filhos, o texto está muito bem claro sobre a alfabetização, pena que não conseguir comparecer na reunião para participar desta discussão que é tão significativa para vida escolar do meu filho. Concordo com todos os eixos que cada criança tem sua individualidade e suas competências e que se constrói sua história e que devemos respeita-la como protagonista de sua trajetória escolar ! Fico feliz pelo meu filho estar numa escola democrática, e que a voz da criança tem vez.

Emei Guia Lopes disse...

Obrigada, Fernanda!

Alexandra F. R. Prado disse...

Sou professora da rede e estou absolutamente encantada com esse texto!
Obrigada e parabéns!

Emei Guia Lopes disse...

Obrigada Alexandra! Continuamos na luta a favor dos direitos fundamentais de todas as crianças! Abraços