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domingo, 22 de fevereiro de 2015

PROPOSTA PEDAGÓGICA - 2015

Missão

        Oferecer serviços de excelência a nossa comunidade, reconhecendo e respeitando a diversidade biológica e cultural que a constitui.

Visão

Considerando a qualidade social da educação, manter-se como referência educacional da rede pública, por meio de projetos transformadores, visando à formação cidadã de toda Comunidade Escolar.

Valores

            Ética nas relações interpessoais e profissionais que garantam a qualidade, o compromisso e a transparência dos valores contidos no Projeto Político Pedagógico da EMEI GUIA LOPES. 

 A proposta pedagógica[1] ou projeto pedagógico é o plano orientador da instituição e define as metas que se pretende para o desenvolvimento das crianças que devem ser educadas e cuidadas, assim como as aprendizagens que se quer promover.  A  EMEI GUIA LOPES prioriza, em seu fazer cotidiano, ações que estimulem a aquisição de saberes, permeando-as com a ludicidade necessária à faixa etária de nossas crianças, através das várias linguagens. Na atividade lúdica, o que importa não é apenas o produto da atividade, mas a própria ação, o momento vivido. Neste contexto trabalhamos a construção da escrita, do raciocínio lógico matemático, o aperfeiçoamento da oralidade e o conhecimento de mundo e sua diversidade. Garantimos os direitos fundamentais da criança e reconhecemos, dentre eles, o brincar como sendo o pilar em que se constroem aprendizagens significativas.

Alguns princípios norteiam nosso trabalho pedagógico e administrativo

I - CUIDAR E EDUCAR [2]
-           “... A base do cuidado humano é compreender como ajudar o outro a se desenvolver como ser humano. Cuidar significa valorizar e ajudar a desenvolver capacidades. O cuidado é um ato em relação ao outro e a si próprio que possui uma dimensão expressiva e implica em procedimentos específicos...“

“...Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros em uma atitude básica de aceitação, respeito e confiança, e o acesso, pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultural...” 

“... Para Vygotsky (1996:78), relação professor/aluno não deve ser uma relação de imposição, mas, sim de cooperação, de respeito e de crescimento..."

    Pensando na qualidade das vivências que queremos oferecer, elaboramos uma linha de tempo e espaços que atenda às necessidades de nossas crianças em seus aspectos físico, emocional, cognitivo e psicológico. Todos os momentos previstos na organização dos tempos de nossa escola são considerados como propícios à aprendizagem e pressupõem um trabalho pedagógico consciente. São eles: hora da higiene, da alimentação, das atividades de registro, das brincadeiras livres, dos jogos dirigidos; da leitura e atividades de informática. Neste binômio encontra-se o atendimento integral às crianças com necessidades especiais, a promoção de ações afirmativas pela igualdade racial e o trabalho pedagógico voltado ao reconhecimento das diferenças e combate a qualquer tipo de preconceito. A EMEI Guia Lopes mantém um plano de guarda e proteção[3] que prevê os procedimentos necessários para mantermos a integridade física e emocional de nossas crianças, cujo cumprimento, conforme orientações são itens de avaliação dos integrantes das equipes da EMEI Guia Lopes.

II - OS TEMPOS E ESPAÇOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL [4]– Acreditamos que o ambiente escolar se constitui como o terceiro educador na construção do conhecimento. Neste sentido criamos ambientes que enriquecem as experiências de alunos, possibilitando a apropriação, observação atenta e o registro dos fazeres infantis pelos professores, tendo em vista que a Brinquedoteca, Ludoteca, Horta Suspensa, Sala de Leitura, Sala de Informática, Cozinha Experimental, Espaço de Artes, Sala de Registro, Quadra e Parque foram pensados com e para todos os atores sociais de pouca idade: crianças, independente e considerando sua história de vida, classe social, nacionalidade, etnia e ou necessidades educativas especiais. Nesse sentido, a compreensão do contexto sociocultural das infâncias e suas especificidades na sociedade contemporânea, são essenciais para constituir práticas educativas autorais e adequadas às necessidades e interesses das crianças e suas famílias. Isso somente se efetiva na aproximação das relações com as famílias e comunidade por meio do diálogo e respeito mútuo entre os espaços educativos e a rede de relações em que as crianças estão inseridas. Na Educação Infantil as crianças têm direito ao lúdico, à imaginação, à criação, ao acolhimento, à curiosidade, à brincadeira, à democracia, à proteção, à saúde, à liberdade, à confiança, ao respeito, à dignidade, à convivência e à interação com seus pares para a produção de culturas infantis e com os adultos, quando o cuidar e o educar são dimensões presentes e indissociáveis em todos os momentos do cotidiano das unidades educacionais. Dessa forma, a organização do tempo e dos espaços nas Unidades deve privilegiar as relações entre as crianças com a mesma idade e também de faixas etárias diferentes, suas escolhas e autonomia, a acessibilidade aos materiais, o deslocamento pelas salas e outras dependências da instituição e fora dela. As crianças devem ter contato com o conhecimento construído historicamente e serem valorizadas também como produtoras e co-construtoras dos mesmos. Desse modo, o papel do Educador da Educação Infantil é daquele que escuta as vozes dos meninos e meninas, articula e apoia suas descobertas, criando condições para a produção do conhecimento de maneira integral e não fragmentada. Destaca-se que considerar as falas e expressões das crianças e bebês, carregadas de indicações sobre como os mesmos pensam a escola da infância constituem-se em um valioso subsídio para a construção de espaços mais ricos e significativos para eles, considerando seus interesses e necessidades. Assim, é responsabilidade da Gestão da Unidade, a organização dos espaços, de acordo com a Proposta Pedagógica. Da mesma forma, a todas as Equipes da Unidade, assim como ao Professor, cabe o planejamento que contribua de forma eficaz para o desenvolvimento infantil, bem como propor a manutenção desses espaços, envolvendo as crianças, tendo em vista seu reflexo no cuidado com o nosso mundo. A proposta pedagógica, em conformidade com as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil - Resolução CNE/CEB nº 5/09, devem respeitar os princípios éticos, políticos e estéticos e ter como objetivo garantir à criança o acesso a processos de apropriação, renovação e articulação de conhecimentos e aprendizagens de diferentes linguagens. Enfim, nosso grande desafio é fazer da EMEI Guia Lopes um local para ser criança; para se viver a infância; onde se brinca; onde as falas, expressões e choros são considerados; onde se corre; se pinta; se dança; se canta; se fotografa; se desenha; se cozinha; se escreve; se lê; na relação com o espaço/tempo/materiais, com os adultos e especialmente com outras crianças.

III - PROTAGONISMO INFANTIL [5]– O conceito de protagonismo infantil envolve uma concepção distinta da infância e de sua participação como atores sociais. Reconhecer as crianças como atores sociais, tanto em suas próprias vidas como na escala social, exige que as reconheçamos como pessoas com direitos, indivíduos com critérios, capacidades e valores próprios, participantes de seu próprio processo de crescimento e desenvolvimento pessoal e social. Considerar a participação principal de crianças e adolescentes, não implica, somente, na disposição dos adultos em deixa-las livres para expressar suas opiniões, pensamentos, sentimentos e necessidades. Esses pontos de vista expressados devem ser levados em conta e influir nas decisões. Protagonismo significa também assumir responsabilidades, contribuir e construir conjuntamente. Uma participação protagonista, envolvendo crianças e adultos, é alcançada quando nos assumimos como membros de um grupo ativo, onde se é possível e desejável que todos os seus integrantes expressem ideias e tomem decisões. Isso significa não ser um simples espectador, mas constituir-se como ator do momento vivido e do próprio futuro. Neste sentido, os planos de trabalho devem estabelecer situações que favoreçam o pensar infantil, acerca dos fatos vividos no cotidiano, estrategicamente planejados para uma maior participação de todos e todas. É o caráter observador e atento, associado ao registro do professor, com reflexo específico em seu planejamento, que possibilitará às crianças, comprometerem-se com a realidade, cumprindo um papel multiplicador e promovendo a participação do restante da sociedade. A qualidade da participação é um dos eixos fundamentais para promover o protagonismo da infância, constituindo-se em objeto específico de avaliação, tanto do ponto de vista dos planos de trabalho propostos, como da aprendizagem infantil. A EMEI Guia Lopes acredita ser fundamental o investimento em ações que promovam o protagonismo infantil, porque reconhece a infância em sua capacidade e possibilidade de perceber, interpretar, analisar, questionar, propor e agir em seu ambiente social, comunitário e familiar. Nos planos de trabalho de todas as equipes da escola e ao longo da permanência infantil, é essencial proporcionar situações em que nossas crianças sejam levadas a refletir, resolver conflitos, superar desafios e aventurar-se em novas descobertas, protagonizando a construção de sua própria história. Algumas atividades permanentes devem ser sugeridas pela gestão, professores e crianças, tais como: assembleias infantis, reuniões convocadas pelas crianças com a gestão escolar, a elaboração de um programa de rádio, a realização de seminários infantis entre os diferentes turmas são algumas das muitas situações que possibilitam uma escuta atenta às ideias infantis e, consequentemente a valorização de suas ideias, sentimentos e necessidades.

IV – PARCERIA ESCOLA-FAMÍLIA[6] – A integração das famílias perpassa todo o período de permanência das crianças na EMEI Guia Lopes, quando, conjuntamente, todos os atores envolvidos passam a integrar o projeto educativo por meio de diferentes processos de participação. Essa parceria entre a escola e famílias tem como metas:  garantir os princípios do cuidar e do educar enquanto ações indissociáveis da ação pedagógica, visando o desenvolvimento integral da criança, onde os tempos de infância são considerados, e as crianças percebidas em suas particularidades e respeitadas em suas diferenças. Para atingi-la, estabelecemos como objetivos, de responsabilidade de todos os integrantes das Equipes da Escola e das famílias das crianças matriculadas: fortalecer a EMEI Guia Lopes como local de discussão sobre ética, valores e cidadania, problematizando a realidade e reconhecendo contradições; promover diálogo entre a Unidade Educacional e a comunidade; contextualizar a Unidade Educacional no mundo; discutir a prática cotidiana da unidade Educacional em seus espaços educativos; promover encontros para a apresentação e avaliação processual dos projetos aos familiares e responsáveis; envolver a comunidade no processo de discussão da proposta educacional.  Considerando que, ambas as instituições – família e escola – estão enraizadas em identidades sociais, étnicas, culturais e religiosas, a convivência produtiva com padrões e valores familiares e comunitários na instituição de educação infantil é necessária para manter relações que discutam e reflitam sobre as identidades e as diversidades das crianças. (BRASIL, 2009, p. 33). Nessa perspectiva a ação educativa, entre família e escola, é reconhecida como um trabalho em complementaridade e partilha de responsabilidades, por todos os integrantes das famílias e das equipes da EMEI Guia Lopes. A participação da família na instituição é de extrema importância para o desenvolvimento das crianças e, sobretudo, para a promoção do trabalho democrático participativo, portanto há de se garantir condições para se realizar trocas, interações entre as pessoas, sejam crianças ou adultos. Essa participação efetiva contribui imensamente na medida em que informações são compartilhadas, aprendizagens são construídas e reconstruídas em contextos específicos – contextos estes que estão sempre abertos à mudança, tais como: cuidar e educar; do brincar; das diferentes infâncias; das marcas infantis em relação aos espaços; das interações e do social ampliado. Para garantia da efetiva participação, organizamos encontros de convivência produtiva, para que, além do aspecto formativo, seja possível promover debates temáticos, no sentido da qualificação das relações familiares com profissionais da Unidade Educacional. Fóruns privilegiados são as reuniões de diversas naturezas, incluindo-se as do Conselho da Escola, com periodicidade mensal e da Associação de Pais e Mestres, que ocorre a cada dois meses. Nesses espaços cada segmento tem garantida a voz e a escuta,  num processo dialógico de construção da ação educativa. Além desses momentos, a fim de que as famílias da comunidade possam se apropriar da escola como espaço de convivência, cultura e lazer, propomos também: Dia da Família, com dois eventos semestrais, festas, quatro reuniões anuais com pais e mestres, previstas no calendário escolar, rodas de conversa com a comunidade, atendimento personalizado aos Pais e Canal de Comunicação Virtual e, de forma sistemática, por meio dos Projetos Permanentes, entre eles a Rádio Tem Gato Na Tuba, a Cozinha Experimental e ações previstas nas sequências didáticas da equipe docente, festividades, mostras culturais, reuniões específicas para reflexão sobre a avaliação da aprendizagem infantil, orientações, entre outras.

V   V - FORMAÇÃO CONTINUADA [7]A proposta pedagógica em seus diversos pilares é concretizada através de ações que favoreçam o protagonismo infantil, sendo assim o planejamento de propostas de trabalho exige a reflexão do professor, antes, durante e depois de sua execução. Neste sentido, a atividade docente é acompanhada pela Equipe Gestora, por meio:
         - observação direta em sala de registro e em todos os espaços escolares;
         -  entrevistas individuais;
         - reuniões por turnos e|ou turmas (Infantil I e Infantil II)
         - de orientações enviadas por e-mail, blog ou página do facebook;
      - análise da documentação pedagógica (diário de projeto, portfólio individual da criança, caderno de registro e observações, cartazes coletivos, semanários, relatório individual de avaliação da criança, comandas e contextualizações e teia do conhecimento),
         - participação e intervenção nos horários de formação  seja durante o PEA (Projeto Especial de Ação) ou durante o cumprimento das Horas-Atividade semanais, conforme aponta a Lei 14660 em seus artigos 12º, 13º, 14º, 15º 16º e 17º (vide destaque dos artigos no box), entre outras ações, constitui o processo de formação continuada e de responsabilidades frente ao desafio de educar. A Equipe Gestora considera o tempo, organização, conhecimento, tato pedagógico e a mudança e aperfeiçoamento da prática são fundamentais para garantir o aprendizado e, consequentemente a melhoria do ensino. Incorporar a formação continuada ao cotidiano da escola significa reconhecer que o tempo usado pelos docentes para estudar é tão importante quanto o empregado na relação direta com os alunos.
Neste sentido, retomamos os objetivos para a formação docente, publicados pelo MEC., tendo em vista a complexidade, a demanda da formação continuada, associada à heterogeneidade de investimentos necessários ao desenvolvimento da proposta pedagógica, a saber:

1.       Pautar-se por princípios da ética democrática: dignidade humana, justiça, respeito mútuo, participação, responsabilidade, diálogo e solidariedade, atuando como profissionais e cidadãos.
2.       Utilizar conhecimentos sobre a realidade econômica, cultural, política e social brasileira para compreender o contexto e as relações em que está inserida a prática educativa.
3.       Orientar suas escolhas, decisões metodológicas e didáticas por princípios éticos e por pressupostos epistemológicos coerentes.
4.       Gerir a classe, a organização do trabalho, estabelecendo uma relação de autoridade e confiança com os alunos.
5.       Analisar situações e relações interpessoais nas quais esteja envolvido, com o distanciamento profissional necessário à sua compreensão.
6.       Intervir nas situações educativas com sensibilidade, acolhimento e afirmação responsável de sua autoridade.
7.       Investigar o contexto educativo na sua complexidade e analisar a prática profissional, tomando-a continuamente como objeto de reflexão para compreender e gerenciar o efeito das ações propostas, avaliar seus resultados e sistematizar conclusões de forma a aprimorá-las.
8.       Promover uma prática educativa que leve em conta as características dos alunos e da comunidade, os temas e necessidades do mundo social e os princípios, prioridades e objetivos do projeto educativo e curricular.
9.       Analisar o percurso de aprendizagem formal e informal dos alunos, identificando características cognitivas, afetivas e físicas, traços de personalidade, processos de desenvolvimento, formas de acessar e processar conhecimentos, possibilidades e obstáculos.
10.   Fazer escolhas didáticas e estabelecer metas que promovam a aprendizagem e potencializem o desenvolvimento de todos os alunos, considerando e respeitando suas características pessoais, bem como diferenças decorrentes de situação socioeconômica, inserção cultural, origem étnica, gênero e religião, atuando contra qualquer tipo de discriminação ou exclusão.
11.   Atuar de modo adequado às características específicas dos alunos, considerando as necessidades de cuidados, as formas peculiares de aprender, desenvolver-se e interagir socialmente em diferentes etapas da vida.
12.   Criar, planejar, realizar, gerir e avaliar situações didáticas eficazes para a aprendizagem e para o desenvolvimento dos alunos, utilizando o conhecimento das áreas a serem ensinadas, das temáticas sociais transversais ao currículo escolar, bem como as respectivas didáticas.
13.   Utilizar diferentes e flexíveis modos de organização do tempo, do espaço e de agrupamento dos alunos para favorecer e enriquecer seu processo de desenvolvimento e aprendizagem.
14.   Manejar diferentes estratégias de comunicação dos conteúdos, sabendo eleger as mais adequadas, considerando a diversidade dos alunos, os objetivos das atividades propostas e as características dos próprios conteúdos.
15.   Analisar diferentes materiais e recursos para utilização didática, diversificando as possíveis atividades e potencializando seu uso em diferentes situações.
16.   Utilizar estratégias diversificadas de avaliação da aprendizagem e, a partir de seus resultados, formular propostas de intervenção pedagógica, considerando o desenvolvimento de diferentes capacidades dos alunos.
17.   Participar coletiva e cooperativamente da elaboração, da gestão, do desenvolvimento e da avaliação do projeto educativo e curricular da escola, atuando em diferentes contextos da prática profissional, para além da sala de registro.
18.   Estabelecer relações de parceria e colaboração com os pais dos alunos, de modo a promover sua participação na comunidade escolar e uma comunicação fluente entre eles e a escola.
19.   Desenvolver-se profissionalmente e ampliar seu horizonte cultural, adotando uma atitude de disponibilidade para a atualização, flexibilidade para mudanças, gosto pela leitura e empenho na escrita profissional.
20.   Elaborar e desenvolver projetos pessoais de estudo e trabalho, empenhando-se em compartilhar a prática e produzir coletivamente.
21.   Participar de associações da categoria, estabelecendo intercâmbio com outros profissionais em eventos de natureza sindical, científica e cultural.
22.   Utilizar o conhecimento sobre a legislação que rege sua atividade profissional.                                                                                                                                                                                                   
É também nos horários coletivos, que se desenvolve o Projeto Especial de Ação, nos termos da Portaria nº 901 de 25/01/2014, o qual se constitui em instrumento de trabalho elaborado pela Gestão Pedagógica visando ao aprimoramento das práticas educativas e consequente melhoria da qualidade social da educação atendendo as seguintes especificidades, além das temáticas previstas no projeto político pedagógico da U.E., a saber:
- a) a organização de tempos, espaços e materiais que promovam a autonomia e a multiplicidade de experiências de forma a contemplar os interesses e o engajamento das crianças em projetos individuais e/ou coletivos garantindo o respeito aos seus diferentes ritmos e necessidades e possibilitando a construção das culturas infantis;
b) as múltiplas linguagens como forma de manifestação, expressão e conhecimento de mundo que devem fazer parte do universo da infância e garantir experiências integradoras sem fragmentá-las como conteúdos disciplinares, mas que dialoguem com as diversas culturas, que considerem as diferenças e aproximem as crianças das práticas sociais;
c) a brincadeira como forma de expressão e conhecimento do mundo que se constitui como a principal linguagem das crianças, sendo por meio dela que experimentam, criam e aprendem sobre a cultura na qual estão inseridas, modificando-a e produzindo as culturas infantis;
d) a qualidade social da Educação Infantil com vistas a implementar processos de autoavaliação das Unidades Educacionais tendo como objetivo promover tempos e espaços para reflexão, análise e busca de encaminhamentos para mudanças necessárias ao contínuo aprimoramento do Projeto Político-Pedagógico.
e) a importância da avaliação da aprendizagem e sua sintonia com as práticas educativas vivenciadas pelas crianças e com o planejamento do Professor constituindo-se em elo significativo, afastando-se de toda e qualquer forma de avaliação que compare ou meça o desenvolvimento e aprendizagem das crianças;
f) a participação das famílias constituindo-se como trabalho em complementaridade e partilha de responsabilidades;
g) o Professor da primeira infância como um dos construtores do Projeto Político- Pedagógico da Unidade articulando conhecimentos teórico-práticos e de vida em suas intervenções pedagógicas, sendo um observador participativo que intervém para oferecer os recursos à atividade infantil dando-lhes a possibilidade de exercer o seu protagonismo;
h) a indissociabilidade do cuidar e do educar como princípio presente em toda Educação Básica.


VI -  DIVERSIDADE BIOLÓGICA E CULTURAL [8]

“... Pautar-se por princípios da ética democrática:
dignidade humana, justiça, respeito mútuo, participação,
 responsabilidade, diálogo e solidariedade, atuando como profissionais e cidadãos.

Utilizar conhecimentos sobre a realidade econômica,
 cultural, política e social brasileira
para compreender o contexto e as relações em que está inserida a prática educativa

Orientar suas escolhas, decisões metodológicas e didáticas
 por princípios éticos e por pressupostos epistemológicos coerentes.

Promover uma prática educativa que leve em conta
 as características dos alunos e da comunidade,
 os temas e necessidades do mundo social e os princípios,
 prioridades e objetivos do projeto educativo e curricular.

Desenvolver-se profissionalmente e ampliar seu horizonte cultural,
 adotando uma atitude de disponibilidade para a atualização,
 flexibilidade para mudanças, gosto pela leitura
 e empenho na escrita profissional.

Elaborar e desenvolver projetos pessoais de estudo e trabalho,
 empenhando-se em compartilhar a prática e produzir coletivamente.
(...) In: Referenciais para Formação de Professores-MEC.SEF-2002

Nossas crianças são capazes de cometer atos de discriminação, em função do gênero, da cor da pele, de religião, de nacionalidade? Embora muitos duvidem, assim como no que se refere ao protagonismo das crianças, no cotidiano da educação infantil, várias são as situações que se desenvolvem principalmente no parque, brinquedoteca, no horário do almoço e em contextos ditos mais livres e, que por si só, sob a lente atenta dos integrantes da Equipe, constituem-se em alvo de intervenções, fundamentadas na Lei 10639|03 e 11645|04  
Essas leis nos permitem discutir alguns valores presentes em nossa sociedade – tudo deve ser rosa e azul? Barbie é símbolo universal de beleza? – e ouvir relatos a partir do ponto de vista daqueles que historicamente não falam. Possivelmente, essa é uma das interpretações fundamentais do “...estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil...”
Ultrapassando a concepção de olhar crianças, nossa proposta é que olhemos para as crianças com a finalidade de perceber ações, observar continuidades, evolução e consequências de relações que se estabelecem, criar contextos para se refletir, falar, ouvir, registrar, pesquisar, comparar, se colocar no lugar do outro, eleger aspectos, agir.
A promoção de ações afirmativas, pela igualdade racial, o respeito às diferenças sejam elas de gênero, raça ou credo necessita da sensibilidade do professor para se constituir. Para tanto realizamos leituras e discussões relativas à temática, bem como desencadeamos ações coletivas que produzem um rico material para ser trabalhado nos momentos de formação.
Se muitos são os objetivos, destacamos que esse é o espaço e o momento para a produção autoral do professor, capaz de reinventar a história, a didática e narrá-la pela ótica da criança urbana com a qual convivemos. Para tanto, apresentamos Azizi e Sofia, Dayo e Henrique, personagens dessa viagem ao encantamento, à fantasia e afetividade. Lutamos, enfim, por uma educação comprometida e transformadora capaz de tornar o Brasil uma nação mais igualitária e justa.

VII - SUSTENTABILIDADE E CONSUMISMO [9]
 “... A base da sustentabilidade repousa
 na capacidade de uma nação promover
o bem estar desta e das futuras gerações...”
In: cadernos de consumismo sustentável criança

Art. 10. “... A educação ambiental será desenvolvida
como uma prática educativa integrada,
 contínua e permanente em todos os níveis e
 modalidades do ensino formal...”
In: Lei 9795 – artº 10º
Frente a essas afirmações, qual o ponto de partida para o planejamento do professor atuante na educação infantil, considerando a concepções defendidas neste documento?
As Equipes da EMEI Guia Lopes identificam vínculos estreitos entre valores constituídos, hábitos consagrados, entre eles, o consumo irresponsável, uso irrefletido dos recursos naturais e ausência de intervenção educativa. Mas estariam nossas crianças envolvidas nesse processo? Esse é o desafio que propomos aos educadores desta Escola: observar, questionar, comparar, argumentar e propor na medida em que a timidez educativa tem gerado contextos insalubres para a sobrevivência das espécies, inclusive a humana.
Os propósitos dos espaços organizados da EMEI Guia Lopes estão a serviço das ações previstas no parágrafo anterior e visam à construção de hábitos saudáveis através de atitudes de respeito, manutenção e conservação ambiental.
Acreditamos que as crianças devam ser estimuladas a protagonizar ações transformadoras da realidade em que vivem e oferecemos um contexto produtivo para que elas construam uma cultura corporal e ambiental sadia.
Entendemos então que a Lei 9795|99, nos confere o dever de ultrapassar a esfera do faça ou não faça, o que é certo e o que errado, para a proposição de planos de trabalho que conduzam a hábitos saudáveis, como meio de manutenção da vida, usando a criatividade e a linguagem da brincadeira, recursos que permitem às crianças  se colocarem no lugar do outro, exercitar o ser gente grande, entender, aprender e quiçá, utilizar nossa herança cultural para continuar a avançar.

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[1] CNE/CEB 20/2009
[2] RCNEI, vol. I; Lei 10639/12796/2013; Res. Nº 05\2009 – Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil
[3] Lei 8069 de 13/07/1990 – artº 4º.
[4] Orientação Normativa 03 de 03/12/2013
[5] Lei 8069 de 13/07/1990 – Artº 3º; Orientação Normativa 03 de 03/12/2013; Programa Mais Educação São Paulo – subsídios para a implantação, 2014, concepção de criança e infância; Protagonismo infantil: co-construindo significados em meio as diferentes práticas sociais-Sergio Fernandes Senna Pires, Angela Uchoa Branco, Universidade de Brasília, Brasília-DF, Brasil;
[6] Orientação Normativa 03 de 03/12/2013
[7] Lei 14660/2007; Referenciais para Formação de Professores-MEC.SEF-2002
[8] Lei 10639|03 e 11.645|04
[9] Lei 9795 de 1999

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