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domingo, 22 de fevereiro de 2015

METODOLOGIA - PEDAGOGIA DE PROJETOS - 2015

Metodologia
PEDAGOGIA DE PROJETOS

“[...] conjuntos de atividades que trabalham com conhecimentos específicos, construídos a partir de um dos eixos de trabalho que se organizam ao redor de um problema para resolver e um produto final que se quer obter.”
 Brandão, Selva e Coutinho (2006, p. 112)

Para operacionalizar nossa Proposta Pedagógica, adotamos a pedagogia de projetos que nos possibilita a organização necessária para a construção dos conhecimentos, bem como a definição de metas previamente definidas, de forma coletiva, entre alunos e professores e envolvendo todas as equipes escolares.
Consideramos o(s) projeto(s) um recurso, uma metodologia de trabalho destinada a dar vida aos conteúdos tornando a escola mais atraente, valorizando o que os alunos já sabem e respeitando o que desejam aprender naquele momento.
Na Pedagogia de Projetos, a atividade do sujeito aprendiz é determinante na construção de seu saber operatório e esse sujeito, que nunca está sozinho ou isolado, age em constante interação com os meios ao seu redor. Segundo Paulo Freire "o trabalho do professor é o trabalho do professor com os alunos e não do professor consigo mesmo". O papel do educador, em suas intervenções, é o de estimular, observar e mediar, criando situações de aprendizagem significativa. É fundamental que este saiba produzir perguntas pertinentes que façam os alunos pensarem a respeito do conhecimento que se espera construir, pois uma das tarefas do educador é, não só fazer o aluno pensar, mas acima de tudo, ensiná-lo a pensar certo.
O mais importante no trabalho com projetos não é a origem do tema, mas o tratamento dispensado a ele, pois é preciso saber estimular o trabalho a fim de que se torne interesse do grupo e não de alguns alunos ou do professor, só assim o estudo envolverá a todos de maneira ativa e participativa nas diferentes etapas.
É importante perceber a criança como um ser em desenvolvimento, com vontade e decisões próprias, cujos conhecimentos, habilidades e atitudes são adquiridos em função de suas experiências, em contato com o meio, e através de uma participação ativa na resolução de problemas e dificuldades.
A EMEI Guia Lopes optou, após a experiência e avaliação de projetos didáticos individuais por grupo/classe, pelo trabalho didático através de projetos coletivos e permanentes que foram desenvolvidos para cada espaço escolar. As vivências previstas por estes espaços geram inúmeros temas de interesse das crianças e é sobre eles que o professor investe tempo para a pesquisa e elaboração de sequências didáticas garantindo um trabalho pedagógico mais objetivo com seu grupo.

       SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS 

A sequência didática é uma forma de planejamento utilizada quando se trabalha com a pedagogia de projetos. É possível não trabalhar com projetos e criar sequências didáticas? Sim, mas o efeito desta prática pode levar à falta de conexão entre as inúmeras sequências feitas durante o ano, o que configura, em última análise, a antiga fórmula dos livros didáticos e da educação tradicional (no seu pior sentido). A sequência didática não é o contexto, ela esta inserida em um contexto mais amplo que, no caso, é o projeto didático.

I – Objetivos e considerações iniciais
                a)  organizar as intenções pedagógicas através de temas, objetivos, conteúdos que atendam as necessidades do projeto didático, dos professores e das crianças,
                b) organizar as intenções pedagógicas de tal forma que garanta a transversalidade de seus conteúdos, temas e objetivos. Por este motivo não se pode determinar em que dia e mês o conhecimento acontecerá (estamos trabalhando com projeto e não com o índice de um livro didático, certo?). A formatação adotada pela escola garante, ao professor, ter uma visão integral e organizada dos caminhos a percorrer.
                c) preparar técnica e academicamente o professor, tornando-o capaz de fomentar e propiciar a construção de conhecimentos específicos com o grupo crianças sob sua responsabilidade, posto que é fundamental que se procure, através de pesquisas, ter conhecimentos prévios  que ultrapassem o senso comum, o óbvio. Portanto, a elaboração de uma sequência didática, em nossa escola, tem caráter formativo, no sentido de recuperar o espírito investigador de nossos professores em busca do que ainda não sabem. É a PREPARAR-AÇÃO do profissional para que possa captar, através de uma escuta atenta de seus alunos, quais são suas as hipóteses (sondagem de repertório) e necessidades e o momento certo de provoca-los, em nosso caso, através das  figuras de afeto.
                CONCLUINDO, a elaboração de sequências didáticas instrumentaliza o professor com aquisição de conhecimentos, ampliação de repertório, previsão de materiais e novas possibilidades de trabalho. Além de ampliar seus horizontes, garante segurança em relação as suas intenções pedagógicas. Um profissional seguro, é capaz de deixar a condução do projeto nas mãos de suas crianças,  do coletivo do grupo e, sabemos, que adotar esta metodologia de trabalho é uma questão de princípios, confiança e muita coragem.
II - Por que uma sequência didática coletiva?
Outra questão fundamental que precisamos compreender é por que a EMEI Guia Lopes adotou a elaboração coletiva das sequências didáticas
Desconstruir práticas pedagógicas individualistas que marcam o exercício da docência desde os mais remotos tempos. A concepção de que o grupo decide e depois “fecho-me em minha sala de aula e trabalho do meu jeito”,  provoca a desqualificação daquilo a que nos propomos como educadores. A velha história do distanciamento entre teoria e prática. Por exemplo: Nosso projeto prevê o respeito a si, ao outro e ao meio ambiente, certo? Nos relatórios é comum avaliarmos nossos alunos pela competência ou não de conviverem com ideias diferentes das suas. Falamos com muita propriedade sobre o quanto eles são capazes ou não de trabalhar em grupo, não é? Esta é a primeira justificativa para a elaboração coletiva de sequências didáticas: nós, educadores precisamos aprender a trabalhar em grupo em prol de um único objetivo.
Há muitos anos, discute-se a formação dada aos professores nos horários de JEIF. Uma tônica sempre presente é o respeito à individualidade docente, às competências diferenciadas e suas dificuldades. Pois bem, a elaboração coletiva de sequências didáticas vem atender a estas reivindicações. Ao trabalhar coletivamente, são colocados, à mesa, os conhecimentos e  as habilidades de cada professor (formação inicial, criatividade, inciativa, escrita, dança, artes). Portanto, é a convergência das competências que garante a qualidade dos serviços educacionais oferecidos à comunidade de nossa escola. Seria ingênuo desconsiderar que, ao mesmo tempo, divergências surgem e, acreditem é por elas que amadurecemos profissionalmente. Trabalhar as competências do grupo, ao invés de investir, insistentemente, nas dificuldades individuais, não esquecendo que é preciso reconhecê-las para superá-las.   O planejamento semanal pode ser um investimento para tratar as diferenças individuais do corpo docente.
Considerando o projeto permanente sobre diversidade biológica e cultural, a sequência didática coletiva atende aos princípios éticos que devem nortear este trabalho. Sendo parte integrante da documentação pedagógica da EMEI Guia Lopes, ela deve refletir, na prática, a concepção de educação de nossa escola. O risco de tratarmos de um tema tão delicado como as relações étnico-raciais, é o de esbarrar em crenças pessoais de toda ordem. A manipulação e omissão de alguns temas importantes pode prejudicar o trabalho pedagógico. Lembrem-se, estamos em uma escola pública, laica e, portanto nossas práticas não podem ser vinculadas a outras questões que não sejam o combate ao racismo, preconceito e discriminação. Aqui, faz-se necessária uma observação. Quando falamos em combate às desigualdades, estamos nos referindo aos sujeitos centrais da educação: as crianças. O trabalho coletivo provoca discussões, acaloradas ou não e, no mínimo, geram reflexões individuais e intransferíveis. A possibilidade de reforçarmos preconceitos, racismos e discriminação quando fazemos uma sequência didática apartada do coletivo é gigantesca. Acima e além de tudo isto, a cooperação, o coletivo são heranças do povo negro e nós precisamos resgatá-la como um valor.
O que pensarmos sobre a oralidade, então? As discussões são necessárias porque nos levam à reflexão de nossa prática. É através do diálogo que transmitimos ao outro o que sabemos e o que somos. É verdade, também, que somos capazes de discutirmos sobre um assunto por horas, mas no momento de redigirmos nossas conclusões, as palavras somem. Não é assim? Claro, trata-se de outra habilidade que precisamos conquistar.
III – Sequência Didática – Como fazer ?
Não há instrumento mais eficaz para tirarmos o currículo do papel e ultrapassarmos as noções básicas que temos sobre o conhecimento construído pela humanidade. Para fazermos uma sequência didática é preciso estudo e pesquisa. Portanto, para realiza-las não há alternativa senão sairmos da zona de conforto. Uma sequência didática, assim como a música, precisa de um começo um meio e um fim e, além disso, de muita inspiração. A pesquisa e as descobertas fazem este papel muito bem. Vamos lá! Pesquisa, muita pesquisa e grandes descobertas!
O modelo de sequência didática que adotamos em nossa escola não é diferente daqueles que possivelmente encontramos em qualquer pesquisa do google. Portanto, a formatação do documento pedagógico não é responsável pelo sucesso da prática pedagógica, mas sim o olhar diferenciado sobre os processos de sua construção.
IV - A importância da sequência didática na Educação Infantil
 Os professores sabem que a carga de conhecimentos que nos é imposta, não se iguala a nenhum outro profissional. Enquanto no ensino fundamental existem especialistas para cada área do conhecimento, nós nos preocupamos com a formação integral e, no mínimo, as cem linguagens da criança, não é?
As sequências didáticas nos obrigam a pensar, antecipadamente, sobre nossas ações.
A improvisação não tem lugar. A leitura de histórias, o filme, o desenho e as brincadeiras são atividades planejadas e, portanto, possuem finalidades pedagógicas específicas. Portanto, adotá-la como documentação obrigatória através do Projeto Pedagógico que, para nós, nunca deixou de ser Político, é uma opção consciente.

V – O rigor no cumprimento da sequência didática
Em uma sequência didática, não há uma cronologia a ser seguida. Apesar de elaborarmos de forma coletiva, o professor tem total autonomia para coloca-la em prática, considerando sempre o interesse e o momento vivido por seu grupo.
A experiência que temos em relação às intenções pedagógicas e sua concretização em sala de aula comprova que o professor, ao adquirir novos conhecimentos, provoca situações para que seu grupo de crianças descubra o que ele próprio descobriu. Há, nestes momentos, o que chamamos de “prazer em conhecer”.

PROCEDIMENTOS
Cientes dos conhecimentos que queremos construir com as crianças (a primeira carta na manga), o professor partirá para a etapa de planejamento das ações e intenções.
A cada conhecimento deverá corresponder uma sequência didática (segue modelo). Em seguida, o planejamento semanal dará conta de fazer acontecer o que idealizamos, sem desconsiderarmos a possibilidade de mudarmos de rumo a qualquer momento face às indicações do grupo de crianças.
A primeira sequência didática do ano será elaborada durante a primeira semana de março. 

SEQUÊNCIA DIDÁTICA
I - PROVOCAÇÃO: Qual o problema que seu grupo quer resolver, qual situação  será investigada ou qual o interesse do grupo relacionado ao projeto que merece investimento? Transforme uma dessas hipóteses em uma pergunta a ser respondida pelo seu trabalho.
II - OBJETIVOS ESPECÍFICOS (elaborados pelo professor mediante as necessidades do grupo de crianças). Para responder à pergunta o que seus alunos precisam conhecer e vivenciar? O que seus alunos precisam aprender?
III - CONTEÚDOS: Além de relacionar os conteúdos possíveis, o professor deverá procurar fontes para estudar os mesmos, saindo do senso comum e aprofundando seus conhecimentos. Defina os temas que serão necessários você conhecer e estudar para mediar os conhecimentos de seus alunos.
IV - PERÍODO: Cada sequência terá a duração de 1 mês. 
V- MATERIAIS E RECURSOS DIDÁTICOS: o professor deverá relacionar os materiais e recursos resultantes de sua pesquisa sobre o tema, que deverão chegar às crianças como estratégias para a mobilização, ampliação de conhecimentos ou conclusões transitórias sobre o novo conhecimento, a saber:
- vídeos que avaliar propícios à referida aprendizagem,
- livros de história
- obras de artes( quadros, fotos, esculturas,etc)
- músicas relacionadas
- poesias relacionadas
- artigos de revista ou jornal
- brincadeiras e jogos
VI – AÇÕES:
ESPAÇOS E TEMPOS: descreva pequenos eventos que você pretende realizar nos diferentes espaços escolares, mesmo que não estejam em sua linha de tempo.
PARCERIAS: descreva com quem você pretende socializar conhecimentos, compartilhar eventos e quais as equipes escolares que serão envolvidas nos diferentes momentos do percurso de seu grupo.
ENVOLVIMENTO DAS FAMÍLIAS: descreva de que forma as famílias serão envolvidas nas ações que serão desencadeadas.
CIDADE EDUCADORA: Saindo dos muros da escola, descreva pelo menos um evento que possa ser levado para o entorno escolar.

Após a construção da sequência didática, a mesma deve ser colada no semanário (conforme modelo acima), em seguida virá o planejamento diário das atividades a serem desenvolvidas em todos os espaços escolares.
O ideal é que sejam observados os princípios da TRANSVERSALIDADE no planejamento semanal. A conversa entre os espaços é fundamental, uma vez que são obrigatórios.
Para garantir que todos os projetos didáticos estejam de acordo com a Proposta Pedagógica da Escola e que a prática pedagógica não se distancie dos princípios estabelecidos pela missão, visão e valores desta Unidade Educacional, é imperiosa a consulta permanente ao conteúdo desta apostila que nada mais é do que um recorte da filosofia de trabalho desta equipe.
                                                                                                                   


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REFERENCIAL CURRICULAR PARA EDUCAÇÃO INFANTIL.. 1998.


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