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domingo, 11 de agosto de 2013

SEQUÊNCIA DIDÁTICA - ALGUMAS CONSIDERAÇÕES - EMEI GUIA LOPES

PORQUE ADOTAMOS E QUAIS AS CONCEPÇÕES SOBRE AS SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS  DA EMEI GUIA LOPES

SEQUÊNCIA DIDÁTICA – O QUE É?
A sequência didática é uma forma de planejamento utilizada quando se trabalha com a pedagogia de projetos. É possível não trabalhar com projetos e criar sequências didáticas? Sim, mas o efeito desta prática pode levar à falta de conexão entre as inúmeras sequências feitas durante o ano, o que configura, em última análise, a antiga fórmula dos livros didáticos e da educação tradicional (no seu pior sentido). A sequência didática não é o contexto, ela esta inserida em um contexto mais amplo que, no caso, é o projeto didático.

SEQUÊNCIA DIDÁTICA – PARA QUE SERVE? ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
                a)  organizar as intenções pedagógicas através de temas, objetivos, conteúdos que atendam as necessidades do projeto didático, dos professores e das crianças,
                b) organizar as intenções pedagógicas de tal forma que garanta a transversalidade de seus conteúdos, temas e objetivos. Por este motivo não se pode determinar em que dia e mês o conhecimento acontecerá (estamos trabalhando com projeto e não com o índice de um livro didático, certo?). A formatação adotada pela escola garante, ao professor, ter uma visão integral e organizada dos caminhos a percorrer.
                c) preparar técnica e academicamente o professor, tornando-o capaz de fomentar e propiciar a construção de conhecimentos específicos com o grupo crianças sob sua responsabilidade, posto que é fundamental que se procure, através de pesquisas, ter conhecimentos prévios  que ultrapassem o senso comum, o óbvio. Portanto, a elaboração de uma sequência didática, em nossa escola, tem caráter formativo, no sentido de recuperar o espírito investigador de nossos professores em busca do que ainda não sabem. É a PREPARAR-AÇÃO do profissional para que possa captar, através de uma escuta atenta de seus alunos, quais são suas as hipóteses (sondagem de repertório) e necessidades e o momento certo de provoca-los, em nosso caso, através das  figuras de afeto.
                CONCLUINDO, a elaboração de sequências didáticas instrumentaliza o professor com aquisição de conhecimentos, ampliação de repertório, previsão de materiais e novas possibilidades de trabalho. Além de ampliar seus horizontes, garante segurança em relação as suas intenções pedagógicas. Um profissional seguro, é capaz de deixar a condução do projeto nas mãos de suas crianças,  do coletivo do grupo e, sabemos, que adotar esta metodologia de trabalho é uma questão de princípios, confiança e muita coragem.
POR QUE UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA COLETIVA?
Outra questão fundamental que precisamos compreender é por que a EMEI Guia Lopes adotou a elaboração coletiva das sequências didáticas
Desconstruir práticas pedagógicas individualistas que marcam o exercício da docência desde os mais remotos tempos. A concepção de que o grupo decide e depois “fecho-me em minha sala de aula e trabalho do meu jeito”,  provoca a desqualificação daquilo a que nos propomos como educadores. A velha história do distanciamento entre teoria e prática. Por exemplo: Nosso projeto prevê o respeito a si, ao outro e ao meio ambiente, certo? Nos relatórios é comum avaliarmos nossos alunos pela competência ou não de conviverem com ideias diferentes das suas. Falamos com muita propriedade sobre o quanto eles são capazes ou não de trabalhar em grupo, não é? Esta é a primeira justificativa para a elaboração coletiva de sequências didáticas: nós, educadores precisamos aprender a trabalhar em grupo em prol de um único objetivo.
Há muitos anos, discute-se a formação dada aos professores nos horários de JEIF. Uma tônica sempre presente é o respeito à individualidade docente, às competências diferenciadas e suas dificuldades. Pois bem, a elaboração coletiva de sequências didáticas vem atender a estas reivindicações. Ao trabalhar coletivamente, são colocados, à mesa, os conhecimentos e  as habilidades de cada professor (formação inicial, criatividade, inciativa, escrita, dança, artes). Portanto, é a convergência das competências que garante a qualidade dos serviços educacionais oferecidos à comunidade de nossa escola. Seria ingênuo desconsiderar que, ao mesmo tempo, divergências surgem e, acreditem é por elas que amadurecemos profissionalmente. Trabalhar as competências do grupo, ao invés de investir, insistentemente, nas dificuldades individuais, não esquecendo que é preciso reconhecê-las para superá-las.   O planejamento semanal pode ser um investimento para tratar as diferenças individuais do corpo docente.
Considerando o projeto permanente sobre diversidade biológica e cultural, a sequência didática coletiva atende aos princípios éticos que devem nortear este trabalho. Sendo parte integrante da documentação pedagógica da EMEI Guia Lopes, ela deve refletir, na prática, a concepção de educação de nossa escola. O risco de tratarmos de um tema tão delicado como as relações étnicorracias, é o de esbarrar em crenças pessoais de toda ordem. A manipulação e omissão de alguns temas importantes pode prejudicar o trabalho pedagógico. Lembrem-se, estamos em uma escola pública, laica e, portanto nossas práticas não podem ser vinculadas a outras questões que não sejam o combate ao racismo, preconceito e discriminação. Aqui, faz-se necessária uma observação. Quando falamos em combate às desigualdades, estamos nos referindo aos sujeitos centrais da educação: as crianças. O trabalho coletivo provoca discussões, acaloradas ou não e, no mínimo, geram reflexões individuais e intransferíveis. A possibilidade de reforçarmos preconceitos, racismos e discriminação quando fazemos uma sequência didática apartada do coletivo é gigantesca. Acima e além de tudo isto, a cooperação, o coletivo são heranças do povo negro e nós precisamos resgatá-la como um valor.
O que pensarmos sobre a oralidade, então? As discussões são necessárias porque levam à reflexão de nossa prática, nós transmitimos ao outro o que sabemos e o que somos. É verdade, também, que somos capazes de discutirmos sobre um assunto por horas, mas no momento de redigirmos nossas conclusões, as palavras somem. Não é assim? Claro, trata-se de outra habilidade que precisamos conquistar.
SEQUÊNCIA DIDÁTICA – COMO FAZER?
Não há instrumento mais eficaz para tirarmos o currículo do papel e ultrapassarmos as noções básicas que temos sobre o conhecimento construído pela humanidade. Para fazermos uma sequência didática é preciso estudo e pesquisa. Portanto, para fazê-las não há alternativa senão sairmos da zona de conforto. Uma sequência didática, assim como a música, precisa de um começo um meio e um fim e, além disso, de muita inspiração. A pesquisa e as descobertas fazem este papel muito bem. Vamos lá! Pesquisa, muita pesquisa e grandes descobertas!!!
O modelo de sequência didática que adotamos em nossa escola não é diferente daqueles que possivelmente encontramos em qualquer pesquisa do google. Portanto, a formatação do documento pedagógico não é responsável pelo sucesso da prática pedagógica, mas sim o olhar diferenciado sobre os processos de sua construção.
 A IMPORTÂNCIA DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Os professores sabem que a carga de conhecimentos que nos é imposta, não se iguala a nenhum outro profissional. Enquanto no ensino fundamental existem especialistas para cada área do conhecimento, nós nos preocupamos com a formação integral e, no mínimo, as cem linguagens da criança, não é?
As sequências didáticas nos obrigam a pensar, antecipadamente, sobre nossas ações.
A improvisação não tem lugar. A leitura de histórias, o filme, o desenho e as brincadeiras são atividades planejadas e, portanto, possuem finalidades pedagógicas específicas. Portanto, adotá-la como documentação obrigatória através do Projeto Pedagógico que, para nós, nunca deixou de ser Político, é uma opção consciente.

O RIGOR NO CUMPRIMENTO DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA
Em uma sequência didática, não há uma cronologia a ser seguida. Apesar de elaborarmos de forma coletiva, o professor tem total autonomia para coloca-la em prática, considerando sempre o interesse e o momento vivido por seu grupo.
A experiência que temos em relação às intenções pedagógicas e sua concretização em sala de aula comprova que o professor, ao adquirir novos conhecimentos, provoca situações para que seu grupo de crianças descubra o que ele próprio descobriu. Há, nestes momentos, o que chamamos de “prazer em conhecer”.

Amigos e professoras da EMEI GUIA LOPES, acabo de inaugurar uma forma virtual de formação......
Se tiverem dúvidas, meu e-mail é ciracyy@hotmail.com
Até a volta!
Abraços,
Cibele
                                                                                                                                                                                            


4 comentários:

Juliana Sousa disse...

Este artigo está muito bom e apesar de estar voltado ao Ensino Infantil, pode ser adaptado para as demais modalidades, Parabéns!!! Adorei!!!

Emei Guia Lopes disse...

Obrigada, Juliana Sousa! Beijos

Yara Garcia disse...

Parabéns! Muito proveitoso este material!

Yara Garcia disse...

Parabéns!Conteúdo muito proveitoso e significativo!